Poucas vezes, até por vício profissional, fiquei tão triste com uma notícia.
A morte de Zilda Arns, em plena função humanitária, trabalhando pelas
crianças miseráveis de um Haiti também miserável, causou em mim uma
tristeza profunda. Daquelas quando se perde um ente querido e muito
próximo.
Talvez pela figura da mulher septuagenária, muito distante da vozinha
tricoteira, mas curiosamente familiar. Ou, quem sabe, por seu uma figura
que faz ter fé na Humanidade.
Só sei que o Brasil - tão castigado por figuras que não apenas são
dispensáveis, mas execráveis - fica muito mais pobre.
Quebrei a regra do jornalismo, chorei!
15/01/2010
03/11/2009
Simples assim
nem difícil.
É criar um riso novo,
estar cheio de graça,
viver as teclas da máquina,
dormir no meio da praça.
A coisa não é fácil,
nem difícil.
É ter um violão na sala,
plantar avencas no quintal,
deixar o coração pendurado,
estender roupas no varal.
A coisa não é fácil,
nem difícil.
É assim, é assado,
cheio de temperanças,
pulsações, esperanças,
plurais fora do lugar.
(1981, para o show Coração de Varal)
30/10/2009
18/10/2009
07/05/2009
O Instante
Traçando cada linha, cada passo.
Seguimos nosso destino
Entre claves, notas e compassos.
Horas em adágio,noutras stacatto
Dor e felicidade em total harmonia
Oitava acima, oitava abaixo...
Surpreendente sinfonia.
Não acompanhamos o metronomo.
Soltos, largamo-nos na deliciosa valsa...
Buscando a liberdade de ter dono,
Mergulhar na vontade esquecida.
E é neste som suave eletrizante,
Onde os corpos em transe levitam
Na apoteóse do derradeiro instante,
Que a vida retoma o tom.
Desaparece a platéia.
(com Vinícius "Vinny' Ulrich)
Seguimos nosso destino
Entre claves, notas e compassos.
Horas em adágio,noutras stacatto
Dor e felicidade em total harmonia
Oitava acima, oitava abaixo...
Surpreendente sinfonia.
Não acompanhamos o metronomo.
Soltos, largamo-nos na deliciosa valsa...
Buscando a liberdade de ter dono,
Mergulhar na vontade esquecida.
E é neste som suave eletrizante,
Onde os corpos em transe levitam
Na apoteóse do derradeiro instante,
Que a vida retoma o tom.
Desaparece a platéia.
(com Vinícius "Vinny' Ulrich)
06/05/2009
Acordes
Danço o ritmo que vier
o compasso que escolher,
nem preciso que cante.
O som me eleva, enleva
Em claves, colcheias
Do teclado que tateia
tanta nota dissonante.
Tom acima, ou abaixo
Devagar traço o passo
Giro corpo, solto a alma
Vôo rasante, elegante.
Nova pauta se desenha
Além do papel, desdenha
Desliza livre de escalas
Num só acorde... acorde
29/04/2009
21/04/2009
O que é?
-->
É o medo que te tolhe
Ou não enxergas além,
Aquém.
É o toque que te acolhe
Ou não o sentes macio,
Frio.
É o vazio que te recolhe
Ou não recebes no colo,
Tolo.
É o ódio que te encolhe
Ou não conheces a flor
Amador
Saudades
-->
Sinto muitas saudades
de um modo diferente.
Nem seres, nem cidades,
só do que vem à frente.
Vejo caminhos tortos,
Muitas luzes, sombras.
Num intenso movimento
a alma ascende, vibra.
Barquinho de papel
leve em mar revolto,
sob a guarda do céu
chego a novo porto.
Sou de pouca pressa,
sobra tempo, ainda,
na melancolia inversa
de que se chama vida.
07/04/2009
Andanças
-->
Estou de mudança.
Quase nada vou levar
nesta nova andança.
Na bolsa, cigarro
batom,
as chaves
de tantas casas.
Deixo as do carro.
Vou em frente, atrás,
percorro notas musicais
volto, sigo a dança.
Retorno ao barro,
tateio cartelas de cores,
decifro o alfabeto,
provo da fruta,
sorvo a frangância
da liberdade.
Não sigo só,
levo alguma lembrança,
na alma,
carrego muitos afetos
no peito,
conduzo outros sonhos,
pela mão.
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