20/01/2013

passarinhando



O bichinho sufoca,

mas temo

a portinhola aberta:

libertará a alma,

ou fará voar à cega,

perdida, a guardiã da gaiola?

09/09/2011

Nós virtuais



O quadradinho branco
Da rede social espera que
responda o que penso agora.
Opções muitas: penso na vida,
Penso em você, quem?
Poderia preencher com versinhos
Tolos e recopiados de frágeis
nós virtuais que se auto propagam.
E se mostrasse erudição
Copiando trechos daquele livro,
Sabe, o que você me emprestou?
E leu?
Contar daquela noite de promessas
Que nem você, nem eu fizemos
E aconteceu à revelia.
Escrever sobre a espera, o amor
A solidão é rima pobre
E insulta a alegria.
Melhor deixar como está.

...


25/08/2011

Quereres



Quero teus olhos
Lendo o que dizem os meus
E que me ouças
Além dos versos que canto.
Quero teus lábios
Tomando o que têm os meus
E que me carregues
Além, muito além, do espanto.
Quero tuas mãos
Moldando os desejos meus
E que forte me abraces
Enquanto teus sonhos acalanto.

21/08/2011

Estações


Ouço musica
Leio jornais
Escrevo versos
O tempo não passa.
Brilha sol, lua
Seca o jardim
Voltam andorinhas
E o tempo não passa.
Pessoas chegam
Sorrisos, amores
Desmancham no ar
E o tempo não passa.

20/08/2011

Ausência


Hoje me faltam pernas
Para buscar outros rumos
Faltam-me as mãos
de moldar sonhos.

Hoje me faltam cores
de lábios sem beijos
Faltam-me os versos
De inventar amores.

Hoje me faltam almas
Para unir à minha
Faltam-me os abraços
De esquecer problemas.

Hoje me falto.

17/08/2011

Noite de lua

Como posso ser triste
se a luz me clareia
quando invade o quarto,
se esparrama na cama
e faz da insônia
alegre vigília.

Como posso ser só
se a luz me atiça
tal amante dedicado,
percorre pele e pelos
e faz da vigília
festa dos sentidos.

Como posso ser uma
se a luz me penetra
explode em fragmentos
dissolve o corpo
e faz da fêmea
sete cores do arco-íris.

09/08/2011

Olhares

Meus olhos divagam
e seu olhar me alcança, 
enlaça,
promete.
Não tento escapar
Ai!
Que brilho é esse
que a noite embaça
e me faz caça?

31/07/2011

Cacos

O que eu tenho guardado
são cacos juntados
de uma vida chinfrim.

É um peito de aço
é pólvora no sangue
é um medo banal
de ter você em mim.

É uma cabeça pesada
é pedra no coração
é um jeito especial
de tirar você de mim.

É uma espera aflita
é o horror da chegada
é a sentença final
de você viver em mim.

(música gravada nos anos 80)

Indiscreta

Lua eu te adivinho
arredondando o ventre
como se fosse parir
um grande sol de prata.

Lua eu te escuto
escondendo no capim
indiscreta e pura
semente de estrela.

Lua eu te sinto 
perdida nas calçadas
como se fosse fugir
para outra madrugada.

Lua eu te sei esperta
espiando numa fresta
um rasgo na janela
pra te deitar comigo.
(1981)