Amanheci moleca
entardeci anciã
anoiteço mulher.
De novo!
13/02/2018
14/01/2018
Romaria
Quando passava a romaria
brinquedo ficava de lado,
olho pregado nos cavaleiros
todos paramentados
com a melhor montaria.
Na carroça vinha o santo
Num andor adornado,
e cavalos muito faceiros
sem poder olhar de lado,
batendo casco na via.
As lojas baixavam portas,
as mães pediam silêncio,
os homens, chapéu no peito,
mas a gente só via
o brilho da fantasia.
04/01/2018
03/01/2018
tempo
Eu canto, rio e choro.
Cada verso tem um tempo.
Das lágrimas que vêm do fundo
às rugas penduradas na testa,
são estações a cumprir
que trespassam seu sono
ébrio de coragem e medo.
Tirem-me daqui.
Cada verso tem um tempo.
Das lágrimas que vêm do fundo
às rugas penduradas na testa,
são estações a cumprir
que trespassam seu sono
ébrio de coragem e medo.
Tirem-me daqui.
destempero
você fala, fala, fala
eu não escuto.
você fala,fala,fala
eu sinto.
você fala, fala,fala
eu me ligo.
você fala, fala, fala
no meu ouvido.
você fala, fala, fala
eu abraço.
você fala, fala, fala
eu.
eu não escuto.
você fala,fala,fala
eu sinto.
você fala, fala,fala
eu me ligo.
você fala, fala, fala
no meu ouvido.
você fala, fala, fala
eu abraço.
você fala, fala, fala
eu.
27/11/2017
de esgueira
não há venda
que esconda
o brilho falso
do olho a vaguear
a procura de uvas
num capinzal.
não há mordaça
que cale
o trinar agudo
da boca a silenciar
a verdade turva
sob o jirau.
que esconda
o brilho falso
do olho a vaguear
a procura de uvas
num capinzal.
não há mordaça
que cale
o trinar agudo
da boca a silenciar
a verdade turva
sob o jirau.
24/11/2017
25/10/2017
zabumba setimental
beijo abafado
feito som do surdo
coração muito louco
zabumba sentimental
batuca peito alado
um beija flor no chão.
(com Zeca Bahia)
feito som do surdo
coração muito louco
zabumba sentimental
batuca peito alado
um beija flor no chão.
(com Zeca Bahia)
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