Por que choro
Se a poesia
Está bem ali
atrás da porta?
O amor que se esvai
devagar
pior do que a sangria
mata sem a pressa
do adeus.
Olhos abertos
inquietos perguntam
onde o sopro quente
que a nuca arrepia,
onde as pernas
na alegria da dança,
onde o corpo
na sina do gozo.
Sonho bom de sonhar.
Você que me olha
e não vejo,
você que se infiltra
tal percevejo
no colchão de palha,
abre a janela
que a luz não falha.
Deixa o chapéu,
desaba na sombra
aberta em copas,
choro sem fita
na palha derramada.
Que sonho esse
ou falta dele
em soluços de
ioiô, cansado
vara a noite,
trespassa
pele e lençol?
Terceira?
Idade
não pesa,
prensa,
não para.
Terceira?
Idade
não apressa
presa,
apenas.
Às vezes acordo sem saber onde estou
Apalpo daqui e dali no escuro
e percebo que estou em mim
como quase sempre acontece.
Não olhem agora,
disfarcem:
a lua tá com
um sorriso maroto,
todo cheio.
Entre lágrimas
entretantos
entretreveros
entrevi
entranças.