09/08/2011

Olhares

Meus olhos divagam
e seu olhar me alcança, 
enlaça,
promete.
Não tento escapar
Ai!
Que brilho é esse
que a noite embaça
e me faz caça?

31/07/2011

Cacos

O que eu tenho guardado
são cacos juntados
de uma vida chinfrim.

É um peito de aço
é pólvora no sangue
é um medo banal
de ter você em mim.

É uma cabeça pesada
é pedra no coração
é um jeito especial
de tirar você de mim.

É uma espera aflita
é o horror da chegada
é a sentença final
de você viver em mim.

(música gravada nos anos 80)

Indiscreta

Lua eu te adivinho
arredondando o ventre
como se fosse parir
um grande sol de prata.

Lua eu te escuto
escondendo no capim
indiscreta e pura
semente de estrela.

Lua eu te sinto 
perdida nas calçadas
como se fosse fugir
para outra madrugada.

Lua eu te sei esperta
espiando numa fresta
um rasgo na janela
pra te deitar comigo.
(1981)

30/07/2011

sonhando

Com a linha do horizonte
Tecia sonhos delicados
E de novo os cosia
Quando o vento soprava.
Apertava muitos nós
E outros desfazia
Sem dor, nem alegria
Tão somente esperava.
O que, ela não sabia
Tampouco importava
Sentada na varanda
Mais sonhos tecia.

(poema que fiz para DE, inspirada por um verso dela)

24/07/2011

É cedo


Momento é muito tempo
Quando chega
o amor
Refaz do cabelo
a cor
Conserta o riso
Faz verde o olhar.

Momento é muito tempo
Quando chega
velho feito novo
Refaz o desejo
acerta o passo
Faz a vida acordar.

21/07/2011

Cantiga


Vem me curar
Traz logo o remédio
Pra esta falta de amor,
Preciso cuidado.

Vem me animar

Um pouco de sabor
De cor e de cheiro,
Preciso beber.

Vem me ninar

Um abraço largo
um colo macio,
preciso descansar.

Vem me curar

Vem me animar
Vem me ninar
Vem me buscar.

19/07/2011

conversa de botequim

Surpresa boa reencontrar (Didi) Cayê Milfont e sua música, depois de tantos anos. Ambos cresceram - ele e a música.

Dominando o violão, soltando a voz sem travas, passeando e cruzando o olhar, parecia muito à vontade, solto no repertório cuidadoso, bem escolhido. MPB da melhor qualidade e composições próprias que também evoluíram, na melodia e nos temas.

Botequim com espaço cultural, acolhedor, fez o cenário perfeito para a reunião de fãs e amigos. Bati palmas com vontade.. e nem sou turista.

24/02/2011


Acabei de ler, de um fôlego, Minha Mãe Se Matou sem Dizer Adeus. Alí encontrei o Evandro diferente das outras letras publicadas; encontrei o magrelo que a amizade o o amor o resgatam do mau humor e sarcasmo e que, diferente do que disse na dedicatória, agora aprende a sentir, somente só

Delícia o livro que não por acaso foi eleito pela APCA como o melhor romance de 2010.

22/02/2011

Confissão

Tenho muito de muito felino; gata que gosta da liberdade, de se esgueirar pelos telhados, de se enroscar na almofada... Quando me sinto só, confusa, cansada, perdida, achada, tensa, relaxada.. não importa nunca a razão. Só quero me esconder em casa, abraçar as minhas carências, namorar a lua escandalosa que invade minha janela, de me encolher nua na cama depois de um banho morninho. Ou me pendurar de ponta cabeça no escuro. Gata-morcega...coisas de Beth.

18/08/2010

Salve, poetinha

“A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. “Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.” (Vinícius de Moraes)