30/07/2011

sonhando

Com a linha do horizonte
Tecia sonhos delicados
E de novo os cosia
Quando o vento soprava.
Apertava muitos nós
E outros desfazia
Sem dor, nem alegria
Tão somente esperava.
O que, ela não sabia
Tampouco importava
Sentada na varanda
Mais sonhos tecia.

(poema que fiz para DE, inspirada por um verso dela)

24/07/2011

É cedo


Momento é muito tempo
Quando chega
o amor
Refaz do cabelo
a cor
Conserta o riso
Faz verde o olhar.

Momento é muito tempo
Quando chega
velho feito novo
Refaz o desejo
acerta o passo
Faz a vida acordar.

21/07/2011

Cantiga


Vem me curar
Traz logo o remédio
Pra esta falta de amor,
Preciso cuidado.

Vem me animar

Um pouco de sabor
De cor e de cheiro,
Preciso beber.

Vem me ninar

Um abraço largo
um colo macio,
preciso descansar.

Vem me curar

Vem me animar
Vem me ninar
Vem me buscar.

19/07/2011

conversa de botequim

Surpresa boa reencontrar (Didi) Cayê Milfont e sua música, depois de tantos anos. Ambos cresceram - ele e a música.

Dominando o violão, soltando a voz sem travas, passeando e cruzando o olhar, parecia muito à vontade, solto no repertório cuidadoso, bem escolhido. MPB da melhor qualidade e composições próprias que também evoluíram, na melodia e nos temas.

Botequim com espaço cultural, acolhedor, fez o cenário perfeito para a reunião de fãs e amigos. Bati palmas com vontade.. e nem sou turista.

24/02/2011


Acabei de ler, de um fôlego, Minha Mãe Se Matou sem Dizer Adeus. Alí encontrei o Evandro diferente das outras letras publicadas; encontrei o magrelo que a amizade o o amor o resgatam do mau humor e sarcasmo e que, diferente do que disse na dedicatória, agora aprende a sentir, somente só

Delícia o livro que não por acaso foi eleito pela APCA como o melhor romance de 2010.

22/02/2011

Confissão

Tenho muito de muito felino; gata que gosta da liberdade, de se esgueirar pelos telhados, de se enroscar na almofada... Quando me sinto só, confusa, cansada, perdida, achada, tensa, relaxada.. não importa nunca a razão. Só quero me esconder em casa, abraçar as minhas carências, namorar a lua escandalosa que invade minha janela, de me encolher nua na cama depois de um banho morninho. Ou me pendurar de ponta cabeça no escuro. Gata-morcega...coisas de Beth.

18/08/2010

Salve, poetinha

“A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. “Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.” (Vinícius de Moraes)



03/05/2010

Um lembrete

"Quando a gente começa - isso é um caso pessoal, não dá pra generalizar - faz música um pouco pra arranjar mulher. Hoje em dia, você inventa um amor para fazer música. Se não tiver paixão, você inventa uma, para a partir daí ficar eufórico, ou sofrer." (Chico Buarque)


.... o mesmo vale para a poesia... não?

15/01/2010

Luto

Poucas vezes, até por vício profissional, fiquei tão triste com uma notícia.

A morte de Zilda Arns, em plena função humanitária, trabalhando pelas

crianças miseráveis de um Haiti também miserável, causou em mim uma
tristeza profunda. Daquelas quando se perde um ente querido e muito
próximo.

Talvez pela figura da mulher septuagenária, muito distante da vozinha

tricoteira, mas curiosamente familiar. Ou, quem sabe, por seu uma figura
que faz ter fé na Humanidade.

Só sei que o Brasil - tão castigado por figuras que não apenas são

dispensáveis, mas execráveis - fica muito mais pobre.

Quebrei a regra do jornalismo, chorei!

03/11/2009

Simples assim


A coisa não é fácil,
nem difícil.
É criar um riso novo,
estar cheio de graça,

viver as teclas da máquina,

dormir no meio da praça.

A coisa não é fácil,
nem difícil.

É ter um violão na sala,
plantar avencas no quintal,
deixar o coração pendurado,
estender roupas no varal.

A coisa não é fácil,
nem difícil.

É assim, é assado,
cheio de temperanças,

pulsações, esperanças,

plurais fora do lugar.

(1981, para o show Coração de Varal)